No Dia Internacional da Mulher, g1 conta histórias de cinco mulheres do Distrito Federal que se redescobriram com linha e agulha nas mãos. Unidas por vivências e experiências, elas fazem parte de uma organização social que busca, por meio do artesanato, a construção da autonomia feminina.
Por Fernanda Bastos, g1 DF
08/03/2024 05h03 Atualizado há um mês

As artesãs do Instituto Proeza responsáveis pela exposição de crochê no JK Shopping, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. — Foto: Tainá Frota

Uma ideia, algumas linhas e pelo menos 12 agulhas: em duas semanas, uma rede de mulheres artesãs do Distrito Federal criou 15 painéis repletos de cor e histórias para homenagear as mulheres por meio de uma exposição de crochê. As artesãs participam do Instituto Proeza, uma organização social fundada há 21 anos que usa o artesanato para construir a autonomia das mulheres.
Para Kátia Ferreira, diretora do instituto, o crochê é a arte de entrelaçar histórias .
“Um novelo sozinho, ele não é nada. Mas quando você põe habilidade, quando você põe conhecimento, mais o trabalho coletivo, você tem esse resultado que é lindo. […] Esses panos, esses painéis, eles são tecidos sociais cheio de histórias, de vivências, de experiências, de superação, eles são pessoas que estão ali entrelaçadas, tecendo as suas vidas com esse fio que realmente fez elas saírem de um lugar e chegarem em outro”, conta.
Nesta sexta-feira (8), Dia Internacional da Mulher, o g1 pegou emprestado do crochê a arte de entrelaçar e reuniu as histórias de cinco mulheres que têm no artesanato ancestral um ponto de transformação que tece o presente e desenha o futuro.
Para Lucie Batista Araújo, o amor pelo crochê começou cedo, aos 9 anos de idade. Com uma agulha improvisada — um graveto de xique-xique, uma espécie de cacto do sertão nordestino — a menina que morava no Ceará começou a tecer sua história.
“Eu aprendi o crochê olhando a minha cunhada fazer. Na época que eu aprendi era ainda no tempo da lamparina. Ela na frente e eu executando atrás. Naquele tempo, quem tinha uma agulha de verdade eram as pessoas com mais condição. […] Eu aprendi com a agulha de xique-xique, que é um espinho grande”, conta Lucie.
Depois, Lucie ganhou do avô uma agulha de ferro, feita com o raio da roda de uma bicicleta, e continuou criando figuras com as linhas entrelaçadas. O primeiro trabalho foi uma borboleta.
Aos 10 anos, a mãe de Lucie deu de presente à filha a sua primeira agulha. A menina cresceu, se mudou para Brasília e deixou o crochê de lado para trabalhar.
Em 2020, Lucie conheceu o Instituto Proeza e lembrou da sua paixão pela arte. Logo após ser mãe, ela ajudou a encapar o prédio da organização social com peças de crochê e fez parte de vários projetos.
“Quando eu cheguei aqui [no Instituto], na pandemia, eu tinha acabado de ter neném. Estava com depressão pesada, chegava aqui e ficava bem ali naquele cantinho. Comecei a me abrir, e a gente foi conversando. Quantas vezes eu cheguei aqui abatida e saí daqui outra Lucie”, lembra a artesã.



