“Artesãos de todo o Brasil se encontram no Salão do Artesanato em shopping”

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Está enganado quem acredita que o artesanato é apenas uma atividade para complementar a renda ou um simples hobby. Informações do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresa (Sebrae) indicam que, em todo o país, 8,5 milhões de pessoas vivem do que produzem manualmente. Juntas, elas representam 3% do Produto Interno Bruto (PIB), movimentando R$ 50 bilhões anualmente. O Correio conversou com alguns dos expositores do Salão da capital federal. Eles afirmaram que, graças ao artesanato, encontraram uma direção profissional.

Cleziania Ribeiro, 45 anos, sempre trabalhou com a transformação da argila. Na infância, via sua mãe produzir copos, vasilhas, pratos com esse material. Agora, ela o usa para criar estatuetas de santos ou pessoas comuns. “Iniciei meu trabalho com argila aos 12 anos e nunca exerci outra atividade (profissionalmente). Me apaixonei. Eu observava a argila e ficava encantada com ela tomando forma. O que me levou a entrar nesse mundo (do artesanato foi): pegar argila e transformá-la em arte”, afirmou.

Ela, que reside na cidade, disse estar feliz em retornar ao evento em Brasília — onde já esteve oito vezes, antes — porque reencontrará amigos da atividade. Comentou que é uma oportunidade para conhecer novas técnicas e trocar experiências, inclusive, de vida, como no caso de Felipe Andrade, 47. “Eu sou um artesão da pandemia. Fui moldado nela”, assegurou o “jardineiro de árvores de arame”.

Transformação
Andrade — que torce fios de alumínio para fabricar “bonsais metálicos” simulando mini-ipês, em homenagem a Brasília, além de outras espécies da flora — disse que foi essa “descoberta” que o salvou ao ficar desempregado no período de isolamento. “Fui forçado a me reinventar. Não suportava a situação de ficar em casa sem nada para fazer. Fui impactado por um vídeo em que pessoas faziam arte com arame. Foi amor à primeira vista”, revelou.

“Descasquei alguns fios (de cobre) velhos (de eletrodomésticos antigos) que tinha em casa e comecei a treinar. Passei várias madrugadas estudando para aprender e, a cada dia que passava, ficava mais fascinado com a arte. Com o tempo, fui pegando o jeito e as árvores começaram a fluir e ganhar elogios da família e de amigos”, recordou.

Ele contou que a maior dificuldade que enfrentou não foi se tornar artista. O maior problema, como disse, esteve em descobrir quanto deveria cobrar. “Esbarrei no processo mais difícil para o artesão que é saber vender. A gente sabe fazer, domina a técnica, mas tem essa dificuldade com a venda”, relatou Andrade. Para encontrar a resposta, teve que ir para a rua, literalmente. Foi participando em pequenas feiras e exposições em locais públicos que entendeu o valor de seus produtos.

Perspectiva
O Salão do Artesanato, em 2023, gerou R$ 2 milhões em negócios, de acordo com a organização do encontro. Para este ano, os expositores estão bastante confiantes em que obterão o dobro do faturamento por dois motivos. O primeiro é que o evento nunca parou, nem na pandemia, chegando a ter mais de uma edição por ano, como será em 2024, para novembro. A segunda razão é que o 17º encontro será na semana do Dia das Mães. “Eu espero uma grande venda. Estaremos alinhados com o Dia das Mães”, disse a artesã Cleziania.

A diretora executiva da empresa que promove o salão, Leda Simone, acrescentou um terceiro motivo. “Ano passado, tivemos artesãos de 16 estados. Em 2024, já contamos com a presença de representantes de 23 estados mais o Distrito Federal. Todos querem mostrar a excelência de sua arte. As expectativas estão lá em cima, tanto que temos pedidos para realizar, ainda este ano, mais um salão”, disse.

Andrade, o “jardineiro do metal” destacou que “é em eventos como este (do Salão) é que mais pessoas (público e expositores) têm a oportunidade de ver trabalhos magníficos”. Ele avaliou que, quando os visitantes conhecem seu trabalho, ele se sente reconhecido como verdadeiro representante de Brasília, o que o deixa gratificado.

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